Estudo aponta algumas alterações no funcionamento

ocular que podem estar presentes na Dislexia.

Sabemos que, na dislexia, habilidades importantes para a leitura estão comprometidas.

Algumas alterações na anatomia e no funcionamento neural causam impactos no processamento linguístico, auditivo, fonológico, visual e motor, todos importantes para a aprendizagem.

 

Uma pesquisa recente realizada por pesquisadores franceses comparou o processamento visual de adultos bons leitores e disléxicos. Foi observado que os bons leitores apresentam uma assimetria saudável na concentração de células cone na região foveal (no fundo do olho, onde é formada a primeira representação neural das imagens que percebemos no ambiente), enquanto que na dislexia essa assimetria não acontece.

 

Esta ausência de assimetria tem sido apontada como uma possível causa dos comprometimentos de leitura na dislexia, mas existem outros traços e características já registrados em pesquisas realizadas anteriormente.

Vamos continuar de olho e aprendendo sempre com os estudos que nos fazem aprender mais sobre a dislexia!

Causa da dislexia está nos olhos e pode ser tratada.

Cientistas identificam que alinhamento das células receptoras de luz desencadeia a condição

que afeta a capacidade de leitura.

Pesquisadores franceses acreditam ter encontrado uma “causa” anatômica e aparentemente tratável da dislexia, que estaria localizada em minúsculas células receptoras de luz nos olhos. É o que revela um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica internacional “Proceedings of the Royal Society B”.

Entre as pessoas não afetadas por essa disfunção que afeta a leitura, esses receptores não têm a mesma forma em ambos os olhos: são assimétricos. Normalmente, quando o sujeito vê uma imagem, o cérebro escolhe o sinal enviado pelo olho dominante — o ser humano tem um que prevalece sobre o outro — para recriá-la. Já nos disléxicos essa zona é simétrica, igual nos dois olhos, diz o estudo. Isso torna o cérebro incapaz de escolher entre os dois sinais enviados por cada um dos olhos, o que explicaria a confusão que as pessoas disléxicas sofrem na hora de ler e escrever, por exemplo, as letras “b” e “d”.

 

— Nossas observações nos permitem pensar que encontramos uma causa potencial da dislexia — destacou um dos autores do estudo, Guy Ropars, da Universidade de Rennes, na região da Bretanha, França.

 

Ropars e seu colega Albert Le Floch chegaram a essas conclusões comparando dois grupos de 30 estudantes: um com e outro sem pacientes com dislexia. Essa alteração foi identificada nos olhos do grupo de disléxicos. A partir daí, os pesquisadores experimentaram uma forma de tratamento, que também é descrita no estudo.

 

Verificamos que há um intervalo de tempo entre a imagem primária (vista pelo olho) e a imagem-espelho (recriada pelo cérebro). Isso nos permitiu desenvolver um método para “borrar” a imagem-espelho, que tanto confunde os disléxicos — contou Ropars.

 

‘TRATAMENTO ESTÁ LONGE’, DIZ OFTALMOLOGISTA

 

Alguns dos participantes afetados por esse transtorno chamaram esse tratamento experimental de “lâmpada mágica”, embora os pesquisadores tenham advertido que são necessários novos estudos para confirmar que a técnica realmente funciona.

 

Existem outras possibilidades de tratamento para compensar essa simetria nos olhos, utilizando a plasticidade do cérebro. Certamente, (no futuro) isso poderá ser adaptado pelos médicos — afirmou o cientista.

Keila Monteiro de Carvalho, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e integrante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, ressalta que essa associação entre simetria dos cones — como são chamados os receptores de luz — e a ocorrência da dislexia já era conhecida. O que os pesquisadores fizeram foi chegar a essa conclusão por meio de um novo método. Keila também ressalta que não se pode considerar que esta seja a causa do distúrbio, pois somente algumas pessoas com dislexia, e não todas, apresentam o desvio.

 

Essa simetria descrita na pesquisa ocorre em alguns casos, mas a real causa da dislexia provavelmente tem mais de uma origem, não está apenas nos olhos. O artigo (dos pesquisadores franceses) é interessante, mas não é exatamente novo, porque já isso foi mostrado por outros métodos — afirma a oftalmologista.

De acordo com ela, constatar a existência dessa relação entre anatomia dos olhos e dislexia é importante, mas não há possibilidade de tratamento imediato a partir disso.

 

Não existe aplicação prática desse estudo hoje. Um tratamento eficiente baseado nisso ainda está longe — considera ela.

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), esse transtorno de linguagem genético e hereditário afeta, no país, duas vezes mais homens do que mulheres, e somente a minoria dos pacientes tem grau leve. Segundo estimativas, da ABD, o problema pode acometer até 17% da população mundial.

Fonte: Jornal O Globo / Instituto  ABCD

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