Como cuidar da saúde mental dos filhos e prevenir problemas emocionais.
Como cuidar da saúde mental dos filhos e prevenir problemas emocionais.
Questões emocionais não tratadas na infância aumentam o risco de ansiedade e depressão na vida adulta. Existem formas concretas de proteger o desenvolvimento mental das crianças desde cedo.
Fonte: Psicólogos Berrini
Por Ana Guastaferro
Psicóloga · CRP 06/228610
Cuidar da saúde mental dos seus filhos é um dos principais bens que você pode oferecer a eles. Isso porque questões emocionais não tratadas na infância podem desencadear problemas sérios na fase adulta, como ansiedade, depressão e outros transtornos.
Nesse cenário, vale destacar um número alarmante divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 14% das crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos possuem algum tipo de transtorno mental. Isso indica ainda mais a necessidade de nos atentarmos para eles.
Por isso, neste artigo, trouxemos algumas dicas de como cuidar da saúde mental dos seus filhos como forma, inclusive, de prevenir o surgimento de diversas questões mentais e emocionais no futuro. Confira!
Sinais de que algo não vai bem com as emoções do seu filho
Como a capacidade de expressão das crianças é limitada, pois elas nem sempre conseguem processar e verbalizar o que de fato sentem, é preciso estar atento a todo e qualquer indício de que a saúde mental e emocional delas está afetada.
Os sinais variam de pessoa para pessoa, mas, de forma geral, podemos elencar esses:
Isolamento social
Dificuldade para dormir ou sono excessivo
Irritabilidade
Baixa concentração
Queda no rendimento escolar
Mudanças drásticas no apetite
Alterações profundas no humor
Regressão no desenvolvimento
Queixas frequentes de dores físicas
Se alguns desses sintomas estiverem presentes com uma certa frequência na vida do seu filho, procure o quanto antes a ajuda de um profissional especialista em comportamentos infantis, como psicólogo infantil ou neuropediatra, por exemplo.
Como preservar a saúde mental dos seus filhos?
Não é preciso (e nem se deve) esperar o aparecimento de sintomas para se atentar para a saúde mental dos seus filhos. A prevenção é sempre o melhor e mais saudável caminho. Por isso, confira as dicas que trouxemos a seguir:
1. Mantenha as crianças cientes sobre mudanças
É essencial manter um diálogo constante, aberto e honesto com as crianças, especialmente sobre as mudanças que estão acontecendo na vida dela ou da família, como o retorno às aulas, a separação entre os pais, uma mudança de cidade ou de casa, etc.
Tudo isso permite que elas não sejam surpreendidas e, assim, consigam se preparar emocionalmente para determinado acontecimento.
2. Mostre que é seguro compartilhar sentimentos
Além de encontrarem dificuldade para expressar suas emoções, as crianças podem guardá-las para si por não se sentirem seguras ou por terem medo da reação dos pais diante de algum relato ou sentimento. Entretanto, o peso dessa carga emocional não compartilhada apenas contribui para o isolamento social e o adoecimento mental.
Sendo assim, encoraje o seu filho a se expressar, seja por meio da conversa, da escrita, de desenhos ou de qualquer outro recurso que o permita compartilhar aquilo que o incomoda e as suas demandas. Isso ajuda a minimizar a sobrecarga emocional e suas consequências.
3. Mantenha uma rotina
As crianças se sentem mais seguras quando têm uma rotina estável, como horários regulares para se alimentar, estudar e brincar. É claro que imprevistos acontecem, o que pode tirar a criança dessa rotina momentaneamente. No entanto, quanto mais constância houver no seu dia a dia, melhor.
Vale dizer que essa prática é igualmente importante em períodos de transição, pois gera um senso de normalidade e, consequentemente, menos conflitos internos na criança.
4. Invista em atividades em família
Na correria do dia a dia, com as diversas demandas pessoais e profissionais, os programas em família acabam se tornando secundários, não é mesmo? Entretanto, é importantíssimo priorizá-los a fim de que o vínculo com o seu filho seja fortalecido.
Assim, reservar um dia da semana para um passeio, uma brincadeira ou qualquer outra atividade com a criança é importante para que ela se sinta feliz e com mais confiança para se abrir com você sobre suas emoções.
5. Valide os sentimentos da criança
Muitas vezes o filho deixa de se abrir porque sente que os pais subestimam as suas emoções. Sendo assim, é muito importante demonstrar compreensão e respeito aos sentimentos dele, sempre.
Além disso, jamais minimize suas emoções com frases como: “isso não é nada” ou “deixa de frescura”. Expressões como essas apenas o afasta de você.
Por isso, mostre que você está ao seu lado em qualquer circunstância e se demonstre sempre pronto para ouvi-lo e apoiá-lo sem julgamentos.
6. Incentive a prática de hábitos saudáveis
O cuidado com a saúde mental também passa por investir em hábitos saudáveis. Nesse sentido, incentive o seu filho a:
Praticar alguma atividade física;
Brincar com outras crianças;
Manter uma alimentação saudável e rica em nutrientes;
Dormir e acordar sempre no mesmo horário;
Ingerir bastante água.
Mas, atenção: você é o maior exemplo dele! Isso significa que não adianta pedir que ele siga esses hábitos se você tem condutas diferentes. Pense nisso!
7. Insira-o em atividades coletivas
Além da rotina escolar, que envolve a convivência com outras crianças, é muito importante que o seu filho tenha outros momentos e locais para socializar além da escola. Sim, essas múltiplas interações contribuem não apenas para evitar o isolamento, como para o desenvolvimento integral do indivíduo.
Desse modo, procure incluí-lo em atividades coletivas diversas, como futebol, natação, passeios a parques, etc. O objetivo aqui não é sobrecarregá-lo de tarefas (até porque isso também pode prejudicar a sua saúde mental), mas sim oferecer outras opções de interação e desenvolvimento.
8. Respeite os limites da criança
Assim como os adultos, as crianças também podem precisar de tempo e espaço para lidar com as suas próprias emoções. Isso significa que, diante de alguma adversidade que ela tenha enfrentado, por mais que você queira prestar apoio, em alguns casos ela só vai querer um tempo para processar as emoções sozinha.
Nesse sentido, mantenha-se atento às suas reações, obviamente, mas ceda esse espaço que ela precisa. Afinal de contas, esse respeito também é uma forma de zelo e cuidado.
9. Busque ajuda especializada
A busca por ajuda especializada não precisa necessariamente acontecer apenas se o seu filho passar por alguma situação estressante ou estiver com comportamentos alterados.
Apesar de ela ser buscada com mais intensidade nesses casos, você pode inserir o seu filho em alguma terapia como forma de ajudá-lo a desenvolver ou superar algumas questões emocionais e comportamentais, como a própria timidez.
Nesses casos, você consegue prevenir que, futuramente – como na adolescência ou na fase adulta -, ele desenvolva condições que possam ser prejudiciais a si mesmo.
Lembre-se sempre de que a prevenção é sempre o melhor caminho! Por isso, não hesite em entrar em contato com os nossos psicólogos para agendar uma consulta online e entender mais como é possível cuidar da saúde mental dos seus filhos!