“ROTINA NÃO É ÚTIL APENAS PARA CRIANÇAS COM AUTISMO”, DEFENDE ESPECIALISTA.

Fonte: Emilio Figueira / Dino Notícias

Vista por muitos como vilã ou sinônimo de inflexibilidade, a rotina é um dos eixos do trabalho

do Terapeuta Ocupacional Régis Nepomuceno.

Com eficiência já reconhecida em pacientes com autismo, a importância da rotina não é tão valorizada

em pacientes com outros diagnósticos, o que ele vem tentando mudar com cursos e relatos de experiência.

 

“Todas as crianças aprendem no dia-a-dia, brincando, participando das atividades de vida diária, em casa,

na escola, em diversos ambientes. No caso de uma criança com deficiência é da mesma forma, mas esse aprendizado muitas vezes precisa de orientações e um acompanhamento especializado”, defende ele.

 

O terapeuta defende que a rotina tem um papel importantíssimo e pouco explorado no desenvolvimento cognitivo da criança. “Uma criança mais autônoma e mais participativa também se desenvolve melhor na escola, aprende melhor, tem mais segurança e explora melhor suas habilidades”, argumenta.

 

Ir ao supermercado, brincar com outras crianças, participar das tarefas: tudo isso tem um papel importante no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. “Claro que devemos considerar as dificuldades de cada criança para saber quanto ela precisa de auxílio ou orientação, mas de alguma maneira, é preciso que todas as crianças participem da rotina”, defende dele.

 

Uma criança que acompanha atividades na cozinha aprende sobre alimentos, química, volume, higiene. Uma criança que organiza o próprio material aprende sobre sequência, tempo, responsabilidade. E tudo colabora com linguagem, memória, atenção, que são algumas das bases do desenvolvimento cognitivo. Então mesmo que precisem de muito auxílio, as crianças precisam participar da rotina.

 

Normalmente o terapeuta ocupacional é o responsável pela orientação das atividades de vida diária (AVD), prescrevendo adaptações, quando necessário, e orientando tanto a escola quanto a família sobre a melhor maneira de estimular a autonomia das crianças com deficiência ou déficits.

 

Mas, segundo o terapeuta, é importante que esses ambientes também sejam vistos como parte do aprendizado,

que a criança esteja integrada e consiga participar de maneira efetiva e progressiva, para que tenha novos desafios e o suporte adequando ao seu desenvolvimento cognitivo, motor e social.

 

O terapeuta defende, ainda, que haja uma integração entre os diversos profissionais que atendem a criança, para que todos consigam entender quais tarefas têm sido mais difíceis e quais os próximos objetivos, que devem ser compartilhados entre a escola, a família e os especialistas.

 

“Os profissionais não passam 24h com a criança, então é fundamental essa comunicação, entender em que momentos a criança fica mais insegura, quando precisa de mais auxílio e qual a melhor forma de auxiliá-la e permitir que ela continue aprendendo”, defende.

 

“Ter tarefas, participar do dia-a-dia e das decisões da família, organizar seu tempo e compreender as etapas de cada atividade são fundamentais para todas as crianças e é assim que elas aprendem e se tornam mais seguras

e independentes. A criança com deficiência não é diferente, ela só precisa de mais orientações e planejamento”, argumenta.

 

Régis é um dos criadores do aplicativo Minha Rotina Especial, um programa que permite a organização das atividades etapa por etapa, com visualização fácil para a criança e ferramentas de controle para os pais e profissionais, para facilitar a geração de relatórios e o acesso às informações entre escola, família e profissionais

de reabilitação.

 

Em junho o terapeuta ministra, em Natal -RN, o curso Rotina: organização, exploração e estimulação cognitiva,

no auditório do Hotel Golden Tulip Interatlântico. Em agosto, o curso será realizado em Belo Horizonte e São Paulo,

e em setembro, na Associação Pandorga, em São Leopoldo-RS.

A proposta é trabalhar com diversos profissionais de reabilitação e educação sobre o potencial da rotina na estimulação cognitiva de crianças com diferentes diagnósticos.

O aplicativo.

 

Em formato de agenda, de forma lúdica e fácil compreensão, “Minha Rotina Especial”mostra as etapas de cada atividade. Um responsável inclui fotos reais e também pode gravar áudio para organizar as ações do dia-a-dia, o que também favorece a criação de vínculos e a compreensão e maior planejamento e participação em cada atividade proposta, a partir do próprio reconhecimento nas imagens.

 

Além disso, o aplicativo gera relatórios das atividades para que escola, terapeutas e familiares trabalhem juntos no processo de desenvolvimento da criança, o que é um grande desafio: integrar informações, estabelecer objetivos

e propor tarefas pertinentes à cada etapa ou desenvolvimento da criança.

 

Mais do que um aplicativo para organizar a rotina, trata-se de um programa para acompanhar e estimular o desenvolvimento, colaborando para a autonomia da criança enquanto facilita a vida de pais e terapeutas pelo compartilhamento de informações valiosas.

 

Régis Nepomuceno

 

Terapeuta Ocupacional, Sócio da Inclusão Eficiente, realiza palestras e consultorias especializadas em inclusão escolar e reabilitação infantil no Brasil e em Portugal. Oferece orientação de atendimento especializado para famílias, empresas e escolas.

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

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