Problemas de aprendizado: quando encaminhar

para um Psicopedagogo?

Fonte: Eduqa.me

Há alguns dias, ouvi de uma professora que “hoje em dia, parece que toda criança tem hiperatividade ou déficit de atenção”.

 

Realmente, o número de encaminhamentos a psicólogos, psiquiatras e psicopedagogos está em alta. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), 50% das crianças brasileiras chegam ao final do Ensino Médio com dificuldades de leitura ou escrita – e, dentre elas, 30% foram diagnosticadas como portadoras de deficiência de aprendizado.

 

Por outro lado, de acordo com a Organização Psiquiátrica Americana, apenas entre 2 e 10% da população mundial apresenta transtornos de aprendizagem. O que causa essa discrepância nos números?

 

“Esse índice está diretamente ligado a crianças que não foram avaliadas por uma equipe multidisciplinar antes de serem medicadas”, explica a psicopedagoga Marli da Costa, especialista em Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano. “Muitas dessas crianças conseguiriam avanços apenas com as intervenções adequadas, sem necessidade de medicamentos”.

 

As dificuldades mais apontadas pelas escolas são o déficit de atenção, hiperatividade e transtorno não-verbal de aprendizagem. As características que levam a esse diagnóstico, porém, nem sempre são definitivas – muitas vezes, até certa dose, são comportamentos usuais da infância, que estão se intensificando enquanto a criança se ajusta a uma situação de mudança em sua vida.

 

Afinal, a entrada na escola é o início de um período de aprendizado não apenas cognitivo, mas social. A criança passa de ser a única, rodeada de adultos, em casa (ou seja, com pouca ou nenhuma necessidade de dividir a atenção ou assumir responsabilidades), para um ambiente em que se vê forçada a conviver com outros colegas. Ela começa a desenvolver habilidades pessoais e sociais antes inexistentes; por consequência, a sala de aula se torna um lugar de, paralelamente, crescimento e sofrimento.

 

É interessante que o professor mantenha um registro mais frequente das crianças que apresentam algum tipo de atitude problemática – a princípio, para definir se é ou não um caso que precise ser encaminhado a um profissional e, futuramente, para auxiliar no tratamento. As anotações devem ser o mais detalhadas possível, explicitando em quais momentos o mau comportamento se manifestou (em sala de aula, no recreio, sozinho ou rodeado de colegas?), com que frequência e em quais atividades.

 

A partir daí, é mais fácil perceber quais os gatilhos que acionam as crises. Começou durante uma atividade? Uma fala do professor? Uma discordância entre as crianças? Levante hipóteses sobre as causas do problema e as tentativas de solucioná-lo que estão sendo empregadas.

 

Entretanto, nem sempre a escola por si só é a origem da dificuldade. É essencial considerar o que as crianças estão vivenciando em casa, em ambiente familiar. “Muitas vezes, nos deparamos com crianças sem limites que são confundidas com hiperativas, ou, outras, superprotegidas e com pais autoritários”, relata Marli. Sobrecarregar os filhos com atividades extracurriculares em excesso também pode desencadear problemas de aprendizado. “São crianças que estão tentando dar conta de um currículo muito extenso, mas ainda são imaturas ou não têm interesse pelo que querem ensiná-las”.

 

No mais, os transtornos de aprendizagem podem estar relacionados a:

1. Mudanças de escola ou de cidade, ou separações em geral (dos pais, entre amigos de outro colégio);

2. Problemas sócio-culturais;

Envolvimento com drogas ou medicações mal administradas (que podem causar agitação ou sonolência, por exemplo);

3. Rotina familiar desorganizada (que gera instabilidade) ou excesso de responsabilidade sobre a criança (como cuidar dos irmãos menores ou trabalhar para complementar a renda da casa);

4.Falta de preparo da escola e dos docentes ao se comunicar com os alunos e com os pais;

Infraestrutura precária da escola (tais quais salas superlotadas, falta de material, número de educadores e funcionários insuficiente);

5. Doenças como anemia, diabetes ou depressão.

 

A maneira como os adultos conversam e se relacionam com a criança é, portanto, essencial. Marli ressalta um caso em que uma menina de 6 anos, que exibia atrasos na alfabetização, entrou no consultório já afirmando que “era lenta e não tinha memória”. “Contei a ela uma história e fiz perguntas sobre a narrativa. A menina conseguiu me responder com detalhes!

 

Então, disse a ela que, se era capaz de se recordar de tanto, significava que tinha memória. Perguntei por que ela havia me dito que não possuía nenhuma”. Ao que a menina respondeu que, todos os dias, enquanto fazia a lição de casa, seu pai afirmava que ela não tinha memória e, por isso, não aprenderia.

 

É gravíssimo impor um diagnóstico precoce ou incorreto sobre uma criança. O rótulo reforça, na cabeça dela, suas qualidades mais negativas e o que ela não é capaz de realizar. Consequentemente, sua autoestima é abalada e ela se sente desencorajada a aprender – podendo até desistir de tentar por completo.

 

Como identificar um transtorno de aprendizado?

É claro que isso não significa que não existam casos reais de déficits de aprendizagem. Em sala de aula, há formas de o professor identificar sintomas:

1. Problemas de linguagem: a criança não consegue articular palavras, adquirir novo vocabulário, seguir instruções orais (mesmo que breves), ou mostra um tempo de interesse e atenção muito restrito diante de narrativas;

2. Problemas de memória: demora em adquirir novos aprendizados como soletrar ou repetir os números, não se recorda de fatos ou se enrola ao contar uma história;Problemas de atenção: é distraída, impulsiva e não consegue se concentrar por períodos normais aos outros alunos;

3. Problemas motores: demora a cumprir tarefas como amarrar os cadarços ou escovar os dentes (autonomia), não consegue manusear materiais como lápis e caneta satisfatoriamente, reluta em desenhar ou escrever;

4. Problemas sociais: ela grita, reclama ou agride colegas, reage mal quando perde ou é contrariada, chateia-se demais com os próprios erros (ou ignora-os, fingindo que não errou), não parece capaz de trabalhar em equipe.

 

Se sinais como os descritos acima de fato se manifestarem, a escola precisa entrar em estado de alerta. “Quando o professor já tentou intervir nas dificuldades de aprendizado ou comportamentos inadequados da criança, mas ela continua apresentando-os, surge o momento de encaminhá-la para uma avaliação profissional”, explica Marli.

 

O procedimento correto é convidar os pais para uma conversa em particular e, em um primeiro momento, elogiar o aluno, citando suas qualidades – para, em seguida, apontar os problemas que vêm persistindo.

 

Deste momento em diante, é essencial que a escola trabalhe em parceria com o psicopedagogo ou psicólogo escolhido. Ambos devem manter contato para discutir os avanços da criança, os métodos bem-sucedidos e as crises que ainda permanecem.

 

E o tratamento não é exclusividade do aluno, avisa Marli: “Os resultados são sempre melhores quanto o professor também procura ser orientado em seu trabalho”.

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

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