Especialistas alertam que excesso de atividades pode ser prejudicial para a saúde das crianças.

Fonte: Jornal Extra

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Do balé ao futebol, passando pelo inglês e aulas de música, as crianças têm energia de sobra, mas é preciso equilíbrio para ocupar o tempo livre.

 

Duas vezes por semana, a fisioterapeuta Vanessa Moura, de 40 anos, leva os filhos de 11, 8 e 6 anos para fazer uma atividade física. Bernardo, o mais velho, e Eduardo, o do meio, fazem futebol na areia, mas o caçula Lucas descobriu que o esporte dos irmãos não era para ele: conversou com a mãe e foi parar na natação.

 

— Tentei descobrir junto com eles o que mais agradava e deixei três manhãs livres, para brincarem ou ficarem em casa — explica Vanessa.

Para a psicóloga clínica Mariza Póvoas, especializada em psicodiagnóstico infantil, antes de matricular a criança, é preciso descobrir com ela suas aptidões e vontades. A participação dos responsáveis é fundamental para aprovar a decisão do filho.

 

— Nada que é imposto, sem diálogo, é um bom caminho — explica a profissional: — Não pode faltar uma atividade física, que ajuda no processo de aprendizado e memorização da criança, além de ser essencial para a saúde.

A psicóloga também aconselha um idioma, mas alerta que o curso pode ser para crianças mais velhas:

 

— Hoje em dia, sabemos que o inglês é primordial. Mas a criança não precisa começar a fazer com 3 anos. Pode ser com 9 ou 10 anos, um pouquinho mais madura.

A educadora e diretora do ensino fundamental I do colégio Pensi, Márcia Gioffi, diz que as atividades extracurriculares não podem impedir o tempo livre das crianças.

 

— A preocupação é que os pais atribuam excesso de compromissos às crianças e elas não tenham tempo para viver a infância — diz Márcia, que aconselha atividades, no máximo, três vezes por semana.

 

Organização e planejamento

As atividades extracurriculares, desde que não sobrecarreguem, são também uma boa forma de a criança aprender a administrar seus horários.

 

— Sabendo que ela tem um tempo para estudar e outro reservado para uma atividade mais relaxada, como um esporte, a criança aprende a se organizar — afirma a educadora Márcia.

 

— É importante até para o futuro profissional, quando essa administração será necessária.

Outra dica da educadora é evitar iniciar as atividades e interrompê-las em pouco tempo, pois isso pode causar frustrações na criança.

 

— Alguns grupos de atividades permitem fazer aulas experimentais antes da matrícula. Assim, a criança tem a possibilidade de ver se aquilo é realmente o que ela tem vontade de fazer — aconselha Márcia.

 

É importante que os responsáveis estejam atentos aos sinais de falta de interesse da criança, tais como desânimo, cansaço, vontade de faltar aulas. Nesses casos, diz a especialista, é melhor não insistir.

 

No ano passado, os dois filhos mais novos de Vanessa faziam judô, mas ela percebeu que a atividade não agrava.

 

— Eles voltavam cansados e sem vontade de continuar. Como a atividade precisa ser prazerosa, optei por mudar a agenda para algo que eles preferissem, explicou.

Por mais que Bernardo já esteja fazendo aulas de inglês, Vanessa optou por esperar mais um pouco para colocar os dois caçulas:

 

— Não quero que o curso se torne desgastante e eles acabem perdendo a vontade. Daqui a três anos, eles já estarão mais maduros

Quer saber mais? Fale com Lilian Aran Guedes,

Psicóloga Clínica.

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