TDAH, você se sente uma fraude?

Fonte: TDHA - Reconstruindo a vida     Imagem: Anton Darius / Unsplash

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Trabalho ao lado de uma pessoa brilhante. Sem nenhuma formação específica essa moça coordena toda a complexa linha de produção da empresa.

 

Toma decisões de maneira rápida, segura e acertada que me enchem de admiração e inveja.

Seu conhecimento e capacidade são respeitados por todos os funcionários, alguns muito mais velhos, ou mais antigos de casa.

 

A algum tempo venho suspeitando de que ela seja portadora de TDAH. Sua vida pessoal louca e caótica, baseada sempre em atitudes impulsivas e inconsequentes, abuso de bebida, inquietação mental e física, a necessidade de expor-se e chocar as pessoas. Caos que só foi controlar-se após a gravidez de risco e a maternidade.

 

Essa semana ela disse a frase que mais caracteriza um TDAH. Ao vê-la atender uma nova cliente potencial, com a desenvoltura e confiança costumeiras, não resisti à tentação de elogiá-la; sua resposta foi sintomática : " quando estou atendendo um cliente sempre penso que estou representando um papel.  SEMPRE ME SINTO UMA FRAUDE. "

 

Poucos sentimentos são tão fortes e representativos do TDAH quanto esse; por mais que o portador tenha noção de sua capacidade, e ela tem, ele não acredita nela. Todos os erros cometidos ao longo da vida deixam a sensação de que vai errar de novo e será descoberto, será desmascarado; sua verdadeira essência de incapaz será desnudada.

 

Junte a esse sentimento de inferioridade outro sintoma  basilar do TDAH, a auto sabotagem, e teremos uma tragédia anunciada: um erro grave por negligência, irresponsabilidade ou inconsequência que, enfim, irá desmascarar o TDAH restituindo-o ao limbo que ele merece.

 

Felizmente não é o caso de minha companheira de trabalho, ela encontrou no trabalho seu hiperfoco, e ninguém supera um TDAH hiperfocado. Nem a carga de trabalho, nem a quantidade de trabalho, muito menos desafios; este sim, o verdadeiro combustível de um TDAH.

 

Somos movidos por desafios, por superações, por transpor obstáculos; e quando eles não existem, nós os criamos. Em geral com funestas consequências.

 

Mas trabalhar ao lado de uma TDAH hiperfocada é mais que um prazer, é um privilégio. Fico  com a certeza de que, uma vez encontrado o hiperfoco, o que nos motiva, ninguém nos supera.

 

Obrigado por essa chance de vê-la em ação de maneira tão firme quanto brilhante, sem perder o humor ácido e o sorriso fácil.

 

Mais TDAH, impossível!

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

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