Autismo em meninas: é preciso atenção para não confundir sintomas com timidez.

Fonte: Superspectro

Até alguns anos atrás os estudos voltados para compreender o Transtorno do Espectro Autista (TEA) eram predominantemente direcionados para o sexo masculino.

 

Essa realidade vem mudando e pesquisadores têm observado que o TEA pode, na verdade, estar sendo subdiagnosticado em pessoas do sexo feminino, ou seja, estar sendo feita apenas uma avaliação aproximada e haver mais mulheres no espectro do que se imagina.

 

De acordo com dados da ONU, de 2017, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo tem autismo – sendo mais comum em meninos do que meninas – a cada cinco crianças com TEA apenas uma é menina. No Brasil, não há estatísticas oficiais, mas se estima que 2 milhões de pessoas estejam no espectro autista.

 

De acordo com a psiquiatra Dra. Rosa Magaly Morais, apesar de não existir uma explicação concreta sobre o assunto, a maior manifestação do espectro em meninos se deve a questões envolvendo genética, neurodesenvolvimento, funções hormonais, particularidades na apresentação de características clínicas e neuropsicológicas.

 

A psiquiatra explica que quando pensamos no número de casos de TEA em meninas, chama atenção, na grande maioria dos casos, à apresentação bimodal:

Casos mais graves: com comprometimento intelectual associado, frequentes nos primeiros anos de vida.

 

Casos mais leves: com inteligência preservada e melhor desenvolvimento das habilidades verbais sendo identificados mais tardiamente, em diferentes momentos da vida.

Isso acontece por conta das generalizações dos critérios do diagnóstico do autismo, que são, no entanto direcionados principalmente para meninos.

 

“Como a maior parte dos instrumentos de investigação se baseiam em critérios quantitativos da esfera social, muitas meninas/mulheres não tem o diagnóstico identificado e são confundidas com fobias sociais, serem desatentas ou com outro transtorno mental”.

 

Ela ressalta ainda que apesar das mulheres apresentarem um desempenho maior com relação a funções de conversação, comunicação verbal e imitação, isso não significa que elas tenham interação social adequada ou adaptada às demandas do dia a dia.

 

“As meninas com TEA são mais motivadas para o engajamento com pares, principalmente em situações referentes à conversação, mas, durante as atividades que demandam troca direta com as outras pessoas, as dificuldades são as mesmas independentes do gênero”, pontua ela que lembra que cada portador do transtorno é único, tendo assim suas particularidades, a exemplo a zootecnista Temple Grandin, que mesmo com imensas dificuldades sensoriais e sociais tornou-se uma referência intelectual no meio em que atua.

 

Não é incomum que o TEA em meninas seja confundido com a timidez. Enquanto meninos que apresentam timidez são entendidos como pouco responsivos, que não se envolvem, as meninas são vistas como introspectivas e tímidas.

 

“É importante lembrar que o diagnóstico de transtorno do espectro autista, mesmo não sendo equalizados para diferença entre os gêneros, baseia-se em critérios clínicos. Assim é possível diferenciar a população com desenvolvimento típico e atípico”, afirma.

 

Rosa lembra ainda que outros aspectos que devem ser levados em conta são:

- À idade de surgimentos dos sintomas

- A presença de atrasos no marco do desenvolvimento

- Observação de outros sintomas como comportamentos repetitivos e alterações sensoriais

- Padrão de funcionamento em testes neuropsicológicos

- Histórico familiar

 

Quanto ao tratamento, a psiquiatra diz que o tratamento para TEA é semelhante independente do sexo. “A terapia para o autismo é desenvolvida de acordo com parâmetros individuais de cada um e são constantemente reavaliados ao longo do desenvolvimento da criança”, conclui.

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

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