Autismo: para conviver é preciso conhecer.

Escrito por Natália Costa, Psicóloga e diretora do Centro Especializado Nossa Senhora D´Assumpção (Censa Betim)

 

Fonte: Emilio Figueira / Dino Notícias

Imagem: Chinh Le Duc / Unplash

Atualmente muito se fala sobre o diagnóstico do autismo, principalmente pela importância de uma intervenção precoce. Os pais que têm essa confirmação podem encontrar ampla informação na Internet e na mídia sobre o assunto, principalmente relacionada ao desenvolvimento na infância.

 

O que acontece é que essas crianças crescem e precisam também de uma abordagem diferenciada. Por isso, também é muito importante discutir na área da saúde, da educação e na sociedade como um todo sobre como lidar com o acolhimento da pessoa com autismo na vida adulta.

 

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento de início precoce, caracterizado por alterações na comunicação social e presença de comportamentos e interesses repetitivos e restritivos.

 

No Brasil não existem estudos que determinam com precisão o número de autistas no país. Entretanto, atualmente adota-se como critério de prevalência mundial 1% da população, o que revela cerca 70 milhões de pessoas no mundo, dentre elas dois milhões de brasileiros.

 

No TEA é comum a ocorrência de outras patologias, principalmente a deficiência intelectual, a epilepsia e a síndrome de Down. Com o aumento da expectativa de vida da população, estamos convivendo com um evento novo que é o envelhecimento do autista.

 

Contrariando muitos prognósticos, eles estão chegando à velhice e nessa fase da vida podem demandar mais cuidados do que outros idosos.

 

É comum a ocorrência do envelhecimento precoce devido à neurofisiopatologia do TEA, que pode ser agravada pela exposição à terapia medicamentosa intensa durante toda a vida. Indivíduos com diagnóstico de deficiência intelectual grave não conseguem desempenhar as tarefas cotidianas sozinhos e na ausência dos pais e na inexistência de mecanismos públicos que oferecem suporte, ficam em condições de vulnerabilidade social.

 

A abordagem multidisciplinar, a participação da família e a atuação do poder público são condições imprescindíveis para garantir a qualidade de vida dessas pessoas.

 

Referência no Brasil no atendimento a adultos com deficiência intelectual, o Censa Betim, acolhe pessoas de todo o país com os mais diversos diagnósticos.

 

Em um ambiente projetado, adaptado e acolhedor, elas desenvolvem diferentes habilidades, através de atividades como aulas de música, artesanato, equitação, bocha, atletismo e natação, além de contar com uma equipe transdisciplinar composta por médicos, psicólogos, fisioterapeuta, pedagoga, enfermeira, nutricionista e cuidadores em tempo integral.

 

Ao longo de quase 20 anos no acolhimento de pessoas com deficiência intelectual, percebo que o envelhecimento precoce é uma realidade que gera novos desafios para os profissionais que atuam nessa área.

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

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