O celular da Babás, proibido por contrato.

Fonte: El País

Uma sala de aula no colégio Waldorf of Península do Vale do Silício. Foto Pierre Laurent

A obsessão no Vale do Silício por afastar as crianças da tecnologia transcende as paredes da sala de aula. Quando as crianças saem da escola, tentam fazer com que continuem sem tocar ou ver as telas.

 

A prática de exigir que as babás assinem "contratos sem uso do telefone celular" está se generalizando nas famílias de altos executivos de empresas de tecnologia no Vale.

 

"Trabalhei em casas em que tinha de deixar o telefone na guarita da residência toda vez que entrava", disse Janie Martínez, que passou 15 anos como babá na região.

 

"Eu não podia olhar o telefone durante todo o meu dia de trabalho, e as crianças não podiam ver telas durante o tempo que estavam comigo. É uma loucura."

 

Martínez trabalhou para famílias "de alto perfil" no mundo da tecnologia, incluindo a de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, afirma. Trabalhos que, nos casos mais extremos, podem ser remunerados com até 100.000 dólares por ano (390.000 reais).

 

"Quanto maior o perfil das famílias, mais se preocupavam com essa questão", diz ela.

 

"Não queriam que seus filhos olhassem para uma tela e, por contrato, impediam que eu usasse o telefone. Isso era frustrante para mim. Como cuidadoras, precisamos do telefone para uma emergência. Não só para que os pais das crianças nos localizem, mas também para nossas próprias famílias.”

 

Syma Latif, diretora da agência de babás Bay Area Sitters, que coloca 200 cuidadoras na região do Vale do Silício, confirma essa tendência. "Há cada vez mais famílias que incluem essas cláusulas nos contratos. Sem dúvida é algo muito comum", diz.

 

"Quando falamos sobre tempo de tela e babás, há dois aspectos a considerar: seu próprio tempo de tela e o da criança."

 

Os contratos normalmente incluem algo relacionado a ambos. Mas uma coisa é dizer: 'Este é meu filho e o tempo de tela só é permitido em determinadas horas'. Tudo bem, porque você trabalha para essa pessoa. A zona cinzenta começa quando o seu tempo de tela é determinado.

 

O empregador tem o direito de te dizer que você não pode estar no telefone? E se você tiver um filho na escola e necessitar de acesso ao telefone, caso precise ser localizado, ou um pai ou um mãe em casa que precisem de ajuda?”

 

Alguns pais vão ainda mais longe. Eles se dedicam a passear pelos parques em busca de babás que estão de olho em seus celulares enquanto cuidam dos filhos dos outros. Quando acreditam ter encontrado alguma, fotografam e as denunciam em grupos de mães na Internet.

São os "espiões das babás". Existem sites como Eu Vi a Sua Babá em que essas fotos são compartilhadas.

 

"Acontece muito nos parques", explica Anita Castro, com 10 anos de experiência como cuidadora de crianças na região. Eles nem sequer nos conhecem, tiram uma foto, colocam nas redes sociais e perguntam: 'Essa é sua babá?'."

 

Mas não sabem que podemos estar nos comunicando com os pais. E nem se eu sou a babá ou uma parente. É uma invasão da privacidade. Em alguns trabalhos eu me sentia observada. Percebi que tinham câmeras na casa.

 

E até as crianças me vigiavam: olhava a hora e elas me perguntaram se eu estava enviando mensagens e para quem. Então, eu sabia que haviam tido essa conversa com seus pais, que pediram para lhes contar se eu estivesse no telefone”.

Quer saber mais? Fale com Silvana Perez, Pedagoga,

Psicopedagoga e Mestre em Educação.

EspacoSER_Logo_Base circular1.png
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram

11 97018.4621  11 99105.4551

silperez@terra.com.br  lucblauretti@gmail.com

Calçada das Tulipas, 5 / 2° Andar

Centro Comercial de Alphaville  Barueri  SP