Saiba mais sobre os tiques na infância.

Fonte: A Mente é Maravilhosa

Postagem_201.jpg

Os tiques são manifestações motoras, rápidas e repentinas que resultam da contração involuntária de um ou mais grupos musculares. É o distúrbio mais comum em pediatria

e o tratamento costuma ser bem-sucedido.

Os tiques são manifestações motoras, rápidas e repentinas que resultam da contração involuntária de um ou mais grupos musculares. São involuntários, estereotipados, recorrentes, imprevisíveis, não rítmicos e controlados temporalmente pela vontade. Os tiques na infância são amplificados pelo estresse ou pela raiva, e podem ser mitigados pela distração ou pela concentração.

 

Os tiques na infância são o distúrbio de movimento mais frequente em pediatria. O impulso premonitório parece ser a parte involuntária de um tique e, muitas vezes, o movimento é realizado para aliviar o impulso.

 

No entanto, crianças mais novas com tiques rápidos os descrevem como algo repentino sem muita advertência ou participação voluntária.

 

Os tiques geralmente começam entre 4 e 7 anos de idade. Para a maioria das crianças, os primeiros tiques se dão ao piscar repetitivamente, cheirar, limpar a garganta ou tossir. São mais frequentes em homens do que em mulheres, com uma proporção de 3 para 1.

 

Os tiques variam consideravelmente em gravidade e frequência. Muitas crianças com tiques menores e transitórios entre 4 e 6 anos de idade não recebem atenção médica. Em aproximadamente 55% a 60% dos jovens, os tiques serão mínimos ao final da adolescência ou no início da idade adulta.

 

Já em outros 20% a 25%, os tiques se tornam pouco frequentes, mas ocasionais. Em cerca de 20%, os tiques continuam até a idade adulta (alguns dos quais chegam a relatar uma piora dos mesmos).

 

Características clínicas dos tiques

Existem determinadas características que definem essas manifestações motoras.

São as seguintes:

. Os tiques se agravam com a ansiedade, o cansaço, as doenças, as emoções

  e um tempo excessivo de telas.

. Os tiques tendem a diminuir quando a criança se dedica a uma tarefa

  cognitivamente exigente e interessante.

. A prática de exercícios reduz os tiques, especialmente durante a atividade física em si.

. Os tiques não interferem em ações importantes nem levam a quedas ou lesões.

. Em qualquer apresentação desses tiques (também chamados de tiques de bloqueio),

  o médico deve ser alertado sobre a possibilidade de um componente funcional.

. Podem ser observadas diferenças notáveis ​​quando os tiques são filmados.

. Geralmente acompanham transtornos de personalidade, além de estarem presentes

  em famílias disfuncionais.

. Podem vir acompanhados por uma certa sensação de prazer que se expressa no rosto,

  apesar da complexidade dos movimentos.

. Sensação de não poder suprimi-los.

. Não apresentam sensação premonitória.

 

Classificação dos tiques

. Os tiques são classificados em motores ou vocais e em simples ou complexos.

. Os simples se manifestam por movimentos repentinos ou sons breves e repetitivos.

. Os tiques motores complexos são movimentos coordenados de forma sequencial,

  mas de maneira inadequada. Por exemplo, sacudir repetidamente a cabeça, repetir

  os gestos de outras pessoas (ecopraxia) ou fazer gestos obscenos (copropraxia).

. Os tiques vocais complexos são caracterizados por produções sonoras elaboradas,

  mas colocadas em um entorno inadequado. Um exemplo disso seria a repetição de sílabas,

  o bloqueio, a repetição de suas palavras (palilalia), repetição de palavras ouvidas (ecolalia)

  ou pronúncia de palavras obscenas (coprolalia).

 

Como os tiques são classificados no DSM-5

Transtorno de tique transitório: tiques motores ou vocais, ou ambos, que ocorrem há menos de um ano.

Transtorno de tique crônico: tiques motores únicos ou múltiplos ou tiques vocais presentes por mais de um ano.

Síndrome de Tourette (ST): tiques motores múltiplos juntamente com tiques vocais que duram um ano; seguem um padrão crescente e não precisam necessariamente estar presentes simultaneamente.

 

Comorbidade dos tiques na infância

Nas crianças com tiques, há uma presença geral de dificuldades de controle dos impulsos, diferenças sutis no funcionamento neuropsicológico e motor, além de um alto índice de comorbidades psiquiátricas ou de desenvolvimento, como o TDAH (30% a 60%), compulsões (30% a 40%), ansiedade (25%), comportamento disruptivo (10% a 30%), alterações do humor (10%), transtorno obsessivo-compulsivo (5% a 8%), transtorno do espectro autista (5%) e dificuldades de coordenação motora. Algumas crianças também apresentam raiva episódica.

 

Etiologia

Os tiques possuem uma etiologia multigenética complexa e são altamente hereditários. A concordância entre gêmeos monozigóticos é de 87%.

 

No passado, os tiques eram considerados relacionados ao comportamento ou ao estresse, e eram chamados de “hábitos nervosos” ou “contrações”, agora, sabe-se que os tiques são movimentos neurológicos que podem ser agravados pela ansiedade, mas isso não é causal.

 

Os mecanismos subjacentes envolvem várias redes neurais no cérebro, entre o córtex e os gânglios da base (circuitos fronto-estriado-tálamo), mas também envolvem outras áreas do cérebro, como o sistema límbico, o cérebro médio e o cerebelo.

 

Também foram descritas anormalidades na consciência interoceptiva e no processamento sensório-motor central.

 

Tratamento dos tiques na infância: intervenções comportamentais

As intervenções comportamentais incluem várias técnicas, embora o tratamento específico a ser seguido por cada criança dependa da avaliação prévia realizada, da resposta ao tratamento e das incidências que vão surgindo durante o mesmo (Bados, 2002).

 

A terapia de reversão de hábito (TRH) e a exposição e prevenção de resposta (ERP) são intervenções baseadas em evidências para tiques. TRH e ERP reduzirão os escores combinados de gravidade e frequência (índice de gravidade do Yale Global Tic) de 40% à 50%.

 

Tratamento de reversão de hábito

O tratamento de reversão de hábito proposto por Azrin (Azrin e Peterson, 1988) envolve ensinar o paciente a reconhecer o impulso premonitório e a executar uma ação chamada resposta competitiva, que reduz a possibilidade de ocorrência de seu tique irritante.

Inclui 11 técnicas principais organizadas em cinco fases:

. Consciência. Envolve a percepção dos estímulos e das situações que precedem

  a manifestação do tique.

. Descrição detalhada do tique e o treinamento para fazê-lo voluntariamente.

. Treinamento de auto-observação para a detecção do tique quando ocorre.

. Detecção precoce, treinamento para detectar as sensações que precedem

  a realização do tique.

. Detecção de situações perigosas nas quais é mais provável que o tique seja desencadeado.

. Treinamento de relaxamento

. Treinamento para realizar uma resposta incompatível com o tique.

  É um comportamento que deve ter as seguintes características:

. Impedir a conduta específica do tique.

. Ser possível mantê-lo por alguns minutos.

. Produzir um aumento da consciência do comportamento em que consiste o tique.

. Ser socialmente aceitável.

. Ser compatível com a atividade normal.

. Fortalecer os músculos antagônicos aos envolvidos no comportamento do tique.

. Para tiques, geralmente consiste em tensionar isometricamente os músculos

  que se opõem ao movimento dos tiques.

 

Motivação. Essa fase é direcionada tanto ao paciente quanto à família.

Inclui três técnicas de motivação padrão:

. Revisão dos aspectos inconvenientes implicados pelo tique.

. Apoio social. Consiste em uma pessoa do seu círculo pessoal se envolver

  e auxiliar na realização do procedimento.

. Realização dos comportamentos em público. Para que o paciente comprove

  que pode realizar o método proposto em público.

. Treinamento em generalização. Inclui a realização de exercícios nos quais o paciente

  deve se imaginar realizando o exercício em situações perigosas identificadas na fase 1.

EspaçoSER

EspacoSER_Logo_Base circular1.png