O que o brincar significa para o desenvolvimento

das crianças.

Fonte: Mônica Pessanha / Revista Crescer

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Depois de ler esse texto, você não vai acreditar no que o brincar pode fazer pelo seu filho.

 

Eu sei que você, possivelmente, como a maioria dos adultos, vê nas brincadeiras das crianças algo banal e muitas vezes sem muito significado. Mas já experimentou falar das brincadeiras de crianças na roda de amigos?

 

O que acontece? Aposto que você fica com aquela vontade de voltar à infância e viver essa experiência de novo! E sabe por que isso acontece? Porque ao brincar, nós nos desenvolvemos como pessoas e, por isso, as memórias que mantemos em relação a isso nos deixam meio saudosos.

 

E não é que o brincar é tão importante que mesmo, nós, adultos não deixamos de fazê-lo? Isso mesmo! Que ver só? Vai dizer que você nunca escolheu bem uma palavra para tirar sarro, por exemplo, da gafe de um amigo? É, sobretudo, por meio do humor que, nós, adultos, continuamos a brincar.

 

Se o brincar permanece conosco é porque ele é essencial para a criança. Isso nos dá a ideia de que o brincar não só é importante para a criança, mas também passa por um desenvolvimento. E isso começa desde cedo. É o desejo inato da criança de explorar o mundo.

 

Se você reparar num bebê, vai ver que, já nos primeiros meses, ele começa a brincar.  Ele brinca com o próprio corpo ou com o corpo da mãe, que é o seu primeiro companheiro. O primeiro sorriso, por volta de dois meses, em resposta às nossas expressões faciais, constitui uma tentativa de socialização e, portanto, também uma espécie de jogo.

 

Logo você vê a coordenação olho-mão se desenvolver. Você já deve ter reparado o bebê quer levar tudo à boca. Sim, todos os objetos atraem sua atenção e ele quer pegá-los com as mãos para explorá-los e sacudi-los. E isso vai durar até os 2 anos.

 

Dos 2 aos 3 anos, as crianças costumam brincar sem muita interação umas com as outras (na verdade, são brincadeiras paralelas). À medida que suas habilidades cognitivas se desenvolvem, incluindo sua capacidade de imaginar, imitar e compreender as crenças e intenções dos outros, as crianças começam a se envolver em jogos sociodramáticos, interagindo com colegas da mesma idade, mas isso vai acontecer mais a partir dos 3 anos. Ao mesmo tempo, os jogos físicos e locomotores também são cada vez mais comuns.

 

Acho que agora você já pode perceber como a brincadeira é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, não é verdade?! Mas ainda tem mais!

 

Quando mais velha, a criança vai brincar espontaneamente, vai tentar recriar o que vive e vê na realidade para melhor compreendê-la e integrá-la. Vocês já viram na internet vídeos de crianças que põem boneca, cachorro, gatinhos (de verdade e de pelúcia) para assistir aulas? Nessas situações elas estão recriando sua realidade.

 

É também no brincar que a criança expressa toda a sua experiência emocional para melhor compreendê-la e melhor digeri-la. A brincadeira é, portanto, um espaço da imaginação que permite à criança integrar, vivenciar e elaborar gradualmente a realidade, tanto de experiências negativas quanto positivas. Por meio da brincadeira, ela ultrapassa os seus próprios limites, por serem curiosas e gostarem de explorar.

 

Além disso, ela percebe a existência das leis do acaso, probabilidade, física e regras de conduta que devem ser respeitadas. A experiência de brincar ensina a criança a ser persistente e a ter confiança em suas próprias habilidades. Como se não fosse suficiente, o brincar também é um processo pelo qual a criança se torna consciente da existência de um mundo interno e externo e começa a aceitar as necessidades legítimas de suas duas realidades.

 

Agora, se o brincar traz tudo isso para o desenvolvimento da criança, qual é o papel dos adultos nisso tudo? Primeiramente, os adultos devem proporcionar um ambiente seguro e adequado para que a criança brinque. Isso significa oferecer a elas sobretudo brinquedos que vão possibilitar a representação da realidade.

 

Vejam que todas as vantagens que o brincar proporciona não vem por meio de eletrônicos. Não há nada de mal com eles, o problema é quando eles se tornam a ferramenta principal do brincar para uma criança.

 

Isso porque há coisas do ponto de vista do amadurecimento psíquico das crianças que não são trabalhados por meio dos eletrônicos. Por exemplo, há maior construção simbólica sobre a imagem da criança, quando ela trabalha com peça de montar de madeira ou outros utensílios que a simbolizar o seu brincar.

 

Além desses, há também os jogos de tabuleiro que podem ser utilizados para ensinar às crianças o respeito pelas regras do jogo e confrontar os outros. Eles também permitem que a criança aprenda a ser paciente.

 

Os jogos de tabuleiro, quando jogados em família, são uma oportunidade de fortalecer os laços familiares e de conhecer várias gerações, de rir, de partilhar emoções e decepções comuns quando perdemos.

 

Eu disse que você não iria acreditar no que o brincar pode fazer por seu filho ao ler esse texto. Tenho certeza de que, pelo menos, uma coisa você aprendeu aqui. E como conhecimento sem prática não causa mudança, que tal correr e colocar essas crianças para brincar?!

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