Fonte: Minds Up

Imagem: Kevin Laminto / Unplash

Há vários relatos na mídia, nos relatórios da OMS e nos dados do Ministério da Saúde sobre o crescimento na taxa de suicídios no Brasil, principalmente, entre os mais idosos e entre os jovens.

 

Enquanto que a média nacional de suicídios gira em torno de 5,5 por 100 mil habitantes, entre os idosos com mais de 70, esta taxa alcança 8,9 por 100 mil e entre os jovens de 15 a 29 anos, esta taxa é de 9 por 100 mil.

Dentre os jovens, os estudantes e residentes de Medicina da tem sido apontados como um grupo vulnerável ao suicídio. Em 2017, 6 suicídios ocorreram entre os estudantes de Medicina da USP.

 

Nesta semana, a notícia de que dois estudantes do ensino médio do Colégio Bandeirantes cometeram suicídio em um período de 15 dias volta às manchetes nacionais. 

Há muita especulação e desinformação sobre o tema seja entre as notícias veiculadas na mídia ou entre os comentários do público leigo nas redes sociais. Muitas vezes, as pessoas tentam explicar as causas do suicídio como sendo relacionadas ao excesso de estresse, à falta de amor, à falta de dinheiro, às más condições sócio-econômicas de vida e à negligência parental. Com certeza todos estes fatores exercem um peso em relação à motivação de alguém querer cometer o suicídio.

 

Porém, o que é invisível para a maior parte das pessoas é que 90% das causas do suicídio estão relacionadas aos transtornos mentais.

A depressão, a ansiedade, o uso de substâncias (álcool e drogas) e as psicoses constituem as principais causas de suicídio e acometem os jovens, principalmente, no final da adolescência e início da idade adulta.

Os jovens são, portanto, um grupo de alta vulnerabilidade para problemas emocionais e psiquiátricos. 

O sofrimento produzido pelos transtornos mentais é enorme e constitui o que se denomina de custos intangíveis (que não é passivel de mensuração), no jargão da Economia da Saúde.

Além disso, a morte precoce ou a abreviação deliberada da vida representa um alto custo para a sociedade (custos indiretos). Porém, o que permanecem invisíveis são os sinais que o adoencimento mental emite antes da ocorrência do suicídio.

 

Dentre os sinais precoces estão o isolamento social, a diminuição de performance no trabalho e na escola (perda de ano letivo), a diminuição da memória, insônia, a dificuldade para alimentar-se.

a dificuldade de comunicação e de relacionamento, a ingestão contínua de álcool e drogas ou medicamentos para dormir e mudanças de comportamento.

 

As pessoas notam estes sinais, mas não os atribuem às doenças mentais. Em geral, encontram uma causa relacionada aos problemas do dia a dia. Por outro lado, muitos profissionais de saúde, também, não reconhecem estes sinais a tempo de identificar um diagnóstico e realizar um tratamento.

 

As políticas públicas de saúde mental são tímidas no que tange a instrumentalizar os profissionais

de saúde e o publico em geral (educadores, pais, líderes religiosos, etc) sobre a identificação de

um problema mental em potencial (rastreamento) e o devido encaminhamento para um profissional habilitado. 

O suicídio é a consequência, é o custo de não cuidar da saúde mental das pessoas. As pessoas se assustam e sente-se, naturalmente,  chocadas quando um suicídio ocorre, mas, após algumas semanas ou meses, tudo cai no esquecimento, até um novo evento.

 

O problema da saúde mental não é apenas uma questão de saúde, é uma questão da sociedade como responsável pelos cidadãos. As escolas, as empresas, os governantes, os pais, os líderes

de opinião tem um papel decisivo para diminuir os custos invisíveis dos problemas mentais.

 

Políticas públicas preventivas, acesso a tratamento adequado, informação de qualidade, suporte emocional para os indivíduos e famílias (no trabalho e escolas), identificação precoce e acompanhamento dos grupos mais vulneráveis são algumas ações possíveis para minimizar os custos gerados pelas doenças mentais.

 

Em termos econômicos, os custos do suicídio representam uma significante parcela do PIB (1%

na Irlanda), mas em termos sociais e individuais, o custo é imensurável. Vários países tem adotado estratégias para prevenir o suicídio, sendo que a principal medida é rastrear e tratar as doenças mentais e combater os fatores de risco (Vasiladis et al, 2015; UK Parliament, 2016, Lewitza, 2015).

 

A meta da OMS é reduzir em 10% a taxa de suicídio até 2020 e o Brasil está alinhado a esta meta e iniciou algumas estratégias de treinamento no tema entre profissionais de saúde. Porém, há o muito

o que fazer e todos os setores da sociedade podem contribuir.

Quer saber mais? Fale com Adriana Biem.

Psicóloga Clínica, especialista em Gestalt .

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