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Mães de filhos especiais: dedicação, amor e luta.

Fonte: Educentro

"O nível de estresse em mães de pessoas com autismo assemelha-se ao estresse crônico apresentado por soldados combatentes, segundo estudo feito com famílias norte-americanas e divulgado no Journal of Autism and Developmental Disorders.


De acordo com a pesquisa, mães que convivem com o autismo dos filhos empenham por dia duas horas a mais com cuidados do que as mães de crianças sem a síndrome, e têm mais interrupções quando estão no trabalho.


Ao longo do dia, elas também apresentaram duas vezes mais probabilidade de estarem cansadas e três vezes mais chances de passarem por um evento estressante. Segundo os responsáveis pelo estudo, é desconhecido o efeito em longo prazo sobre a saúde física dessas mães, já que o elevado estresse pode afetar o nível de glicose, o funcionamento do sistema imunológico e a atividade mental.”


O texto acima revela como é estressante o cotidiano de muitas mães com filhos especiais. Mas como lidar com essa situação?


A psicopedagoga e coordenadora do Educentro, Daiane Keller, destaca a importância de se construir uma rede de apoio com profissionais capacitados, que darão orientações para essas famílias.


De acordo com a especialista, as mães que são geralmente as principais cuidadoras de crianças e adolescentes especiais, também devem buscar conhecimento através de cursos e leituras, que darão mais segurança para lidar com os filhos especiais.


Uma das batalhas a serem vencidas diariamente é a do preconceito, ainda presente em parte da sociedade em relação a autistas, deficientes intelectuais ou com outros transtornos de desenvolvimento. E como as mães conseguem enfrentar isso? Com amor e dedicação.


Uma dessas mães guerreiras é Denise Aragão, que escreveu o livro “Eu, meu filho e o autismo: uma jornada inesperada”. Confira um trecho inspirador dessa obra:


“Quando o sol nasceu hoje, acordei sabendo que, mais uma vez, serei alvo de julgamentos, por diversas vezes ao longo deste dia.

Pois hoje, infelizmente, não será diferente de ontem.


Minhas atitudes – ou a falta delas – serão consideradas equivocadas, permissivas ou castradoras por alguém em algum momento. Minha imagem refletida no espelho revela uma mulher cansada. Sem dúvida, as limitações e dificuldades trazidas pelo autismo de meu filho são grandes obstáculos a serem enfrentados. Mas meu cansaço maior tem outra origem.


O que me leva à exaustão física e emocional são os muitos julgamentos e críticas, os olhares de reprovação em minha direção, recriminando-me.

Jamais busquei a perfeição; longe disso, apenas almejo a felicidade de meu filho.


E esta felicidade passa, necessariamente, pela sua inclusão na sociedade. Inclusão na concepção mais abrangente da palavra. E para que esta inclusão aconteça, eu preciso lutar todos os dias, a cada segundo, incessantemente. Para que ele tenha seu direito à educação respeitado, por exemplo, é praticamente necessário que eu “lute” com “meio mundo” para que isto aconteça.


Mais de uma vez ao dia, preciso explicar às pessoas o que é autismo e por que meu filho tem direito à prioridade em filas de atendimento público ou privado.

Alguns compreendem, mas a grande maioria não faz o menor esforço para isso.

E isto cansa, sabe?

[...]

Apesar disso, sou forte, destemida e guerreira, por amor ao meu filho.

Este amor que me move e me faz enfrentar intempéries e tsunamis é mais forte do que tudo. Este amor é capaz, inclusive, de VENCER a incompreensão e a intolerância.”



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