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Mais de 4 mil crianças de até 11 anos já morreram de covid-19 no Brasil, estimam pesquisadores.

Fonte: Revista Crescer

Os números oficiais do governo federal apontam que, até 10 de dezembro de 2021, 1.544 menores de 12 anos morreram vítimas da covid-19 no Brasil.


Mas a estimativa é de que esse dado – já alarmante – seja ainda mais elevado. Uma estimativa feita por pesquisadores da Vital Strategies, organização global focada em saúde pública, sugere uma subnotificação de 164% na faixa de 0 a 11 anos, o que leva o Brasil a contabilizar 4.081 mortes por covid de menores de 12 anos – faixa etária incluída apenas neste mês na vacinação, disponível para crianças entre 5 e 11 anos.

Desse total, 3.249 mortes ocorreram entre menores de 5 anos, sendo os pequenos abaixo de 1 ano os que mais morrem por covid no Brasil (2.238), seguidos pela faixa de 5 a 11 anos (832).


“O que chama a atenção no dado é o aumento de mortes de crianças por covid-19 em dezembro de 2021 em comparação com o mês anterior. Em novembro, os menores de 1 ano respondiam por 0,59% das mortes por covid no país, mas em dezembro aumentou para 0,91% (aumento de 54%). Entre as crianças de 5 a 11 anos, a mortalidade proporcional aumentou de 0,31% para 0,35% das mortes por covid no país.


Como você pode ver, o aumento dos menores de 1 ano foi bem maior”, analisa Fatima Marinho, médica epidemiologista e consultora técnica da Vital Strategies, em entrevista à CRESCER.


Segundo a pesquisadora, ainda não é possível determinar com precisão a razão para esse aumento – a equipe aguarda o fechamento dos dados de janeiro para elaborar a análise, mas uma hipótese é a menor proteção das crianças até 11 anos, que iniciaram apenas nos últimos dias a vacinação.

“Os números apontam para a necessidade de vacinar crianças menores, essas são mais vulneráveis a vírus respiratório, e vacinar também as gestantes e puérperas, porque parte das mortes de menores de 1 ano foi neonatal, ou seja, no primeiro mês de vida”, detalha.


A especialista também ressalta que ainda não é possível ver nos números os reflexos do avanço da ômicron, nem da vacinação dos adolescentes, principalmente por conta do apagão nos dados do Ministério da Saúde.


Mas como eles chegaram a esses números?

A Vital Strategies utiliza em seu levantamento os dados disponibilizados no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), do Ministério da Saúde, que é o principal banco de dados nacional para o registro de internações e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os números, porém, são corrigidos, a fim de apresentar uma estimativa mais fidedigna da carga de internações e óbitos causados por covid-19 no país.


“A partir de 2020, observou-se um boom de registros de mortes nesse sistema. Embora a maioria das mortes excedentes (acima da média dos anos anteriores) tenha como causa confirmada a covid-19, um número considerável de mortes acima do esperado com base na média histórica não teve a etiologia especificada, sendo resultados inconclusivos ou sem informação para definir a classificação final como covid-19.


Os pesquisadores usaram, então, uma metodologia simples para fazer uma correção do número de casos e óbitos pela doença no país – foi feita a redistribuição dos casos e óbitos de SRAG categorizados com etiologia não especificada ou com classificação final ausente para covid-19, após subtrair os números médios observados para essas categorias em anos anteriores à pandemia (2018 e 2019)”, explica a organização.


No caso específico dos pequenos, a subnotificação de mais de 160%, segundo Fátima Marinho, se deve principalmente à baixa testagem em crianças e à crença de que crianças têm risco zero para covid-19 – o que, os dados mostram, não é verdade!



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